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terça-feira, 16 de setembro de 2008

O mundo olha para a China


Provavelmente nem mesmo nos instantes que antecederam a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos Beijing 2008 olhos tão atentos estiveram voltados para a China como nesta semana. Com o degelo de glaciais eternos da economia mundial causando verdadeiros tsunamis de descrédito no mundo economicamente superdesenvolvido, o desempenho da bolsa chinesa depois do feriado será a grande atração da semana.

O Globo de sábado deu fortes indícios do por que disso tudo. Segundo matéria de Gilberto Scofield Jr., o China International Capital Corp. informou que o banco central de lá, o Banco Popular da China, tem US$ 447,5 BIlhões em títulos de Fannie Mae e Freddie Mac. As reservas em moeda estrangeira do país são de US$ 1,8 trilhão atualmente.

Segundo a matéria, o economista-chefe do China International Capital Corp. disse ao jornal estatal chinês China Daily que "a crise fez o governo chinês perceber que foi uma má idéia colocar todos os seus ovos na mesma cesta".

Mas o mais significativo vinha em seguida. Fontes anônimas do governo chinês de Pequim dizem que o banco chinês deverá iniciar um lento processo de "desdolarização" de parte de suas reservas. Somam 60% os ativos em dólar na China.

Hong Kong abriu em queda de 5,91%. Dizem que como o governo é comunista, é a única bolsa de valores do mundo onde quando há ganhos fecha em vermelho, cor da bandeira do país. Depois das Olimpíadas e das Paraolimpíadas, os gigantes se preparam para organizar agora suas Paraeconomias particulares.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Patriotismo para o chinês


A Folha de S.Paulo publicou ontem um artigo interessante assinado por Zhou Shixiu, professor titular de história da Universidade de Hubei (China) e professor visitante da Unesp (Universidade Estadual Paulista), e Luís Antonio Paulino, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências da Unesp-Marília, que trata do patriotismo dos chineses constatado nos Jogos Olímpicos Beijing-2008.

Para quem não é assinante e não tem acesso ao texto, vale comentar que explica o significado do hino chinês:
"Levante-se povo que não quer ser escravo. Vamos juntos construir uma nova Grande Muralha com nossos corpos. Nossa nação enfrenta grandes perigos. Cada um de nós deve gritar com todas as suas forças. Levantem-se, levantem-se, milhões em um só coração. Enfrentemos o risco do fogo e dos canhões inimigos. Avante, avante."

Apesar da história milenar da China, o hino foi adotado apenas depois que o Partido Comunista se estabeleceu, em 1949. Se chama "Marcha do Exército de Voluntários" e foi criado após a invasão japonesa de 1937. Foi com essas referências e sob esse canto que os chineses disputaram e torceram pelos Jogos Olímpicos.

O texto explica que no século 18, a China era a maior economia do mundo, "mas como sempre foi pacífica, não estava preparada para enfrentar as agressões militares que sofreu para abrir seus mercados para o Ocidente".

Me ocorreu que talvez essa realidade explique porque Deng Xiaoping recorreu ao Exército chinês quando buscou um pacto para implantar as Zonas Econômicas Especiais na China, em uma luta individual que teve de vencer inacreditáveis barreiras, como descreve o livro "A China de Deng Xiaoping".

O texto aponta que os chineses aplicaram à sua vida um ensinamento antigo: "Não andar para a frente significa voltar para trás."

Mas talvez entre todas as dicas que o texto transmite a nós, ocidentais, para que entendamos um pouco melhor a China e seu povo uma das mais importantes é na China se fala sobre democracia e liberdade, "sempre pensando com a responsabilidade. A maioria dos chineses sabe que a realização de democracia deve se dar passo a passo".

Outra boa dica é a afirmação de que há um objetivo comum na China, que é construir um país "de estudo, de inovação e de desenvolvimento sustentável", já que, segundo os autores, "uma nação bem organizada, unida e trabalhadora pode fazer milagres".

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Chineses estão satisfeitos com China

Quem trabalha para alcançar a China e o mercado chinês tem de saber que apesar das críticas que o país recebe mundo a fora por seu sistema de governo, o povo local foi apontado por uma pesquisa como o mais satisfeito "com os rumos do próprio país" . Os dados foram levantados pelo "Pew Research Center for the People & the Press" com a "2008 Attitudes Survey", realizada em 24 países, segundo artigo do editor-chefe da edição internacional da revista Newsweek, Fareed Zakaria, publicado pela revista Época.

Segundo o texto, foram ouvidos pessoalmente 3.212 chineses de 16 dialetos diferentes. Ele mesmo ressalta que indicadores apontam que a opinião é sincera, já que poderiam se sentir intimidados a criticar o governo central. Dos entrevistados, 86% estão satisfeitos com os rumos do país. A lista de satisfação trás na segunda colocação os australianos (61%), seguidos dos russos (54%) e espanhóis (50%). Os brasileiros estão na 12a colocação (31%) atrás da Tanzânia e à frente da Grã-Bretanha.

Os chineses também são os mais satisfeitos com a economia do país com índice de 82%, seguidos de australianos (69%), indianos (62%) e alemães (53%). Os brasileiros aparecem na nona colocação (41%) atrás do Egito e à frente da Nigéria.

Trata-se de uma informação importante. Principalmente para servir de norte para quem quer entender aquele país. As maiores críticas dos entrevistados, segundo Zakaria, se voltaram para "corrupção, degradação ambiental e inflação".

Na página do instituto na internet descobre-se que "mais de oito em cada dez chineses estão satisfeitos com o rumo do país", um crescimento significativo em relação ao ano de 2002, quando a marca era inferior a "cinco em dez". Em números, passou de 48% de satisfeitos em 2002 para 86% agora.

Em relação à própria vida, no entanto, é diferente. Com a vida familiar, 14% são muito satisfeitos, e 67% são satisfeitos. A soma de 81% dos entrevistado coloca os chineses em 29º lugar entre 47 países pesquisados no ano passado. Entre os que estão empregados, 4% são muito satisfeito com o trabalho e 60% se dizem satisfeitos. O índice de 64% coloca os chineses em 34º lugar entre 47 países.

Neste ano foram ouvidas 24.717 pessoas em 24 países, em 2007, 45.239 em 46 países mais territórios palestinos. O relatório completo sobre os chineses pode ser lido em inglês aqui.

A informação que poderá surpreender muita gente é que 76% dos chineses aprovam a "política do filho único", em que cada casal só pode ter um filho. A desaprovação é de 21% e os demais não opinaram. Mais surpreendente é que a variação na opinião é relativamente pequena nos quatro grupos de faixa etária. Entre quem tem 18 e 29 anos (e hipoteticamente em fase mais "fértil" da vida) a aprovação é de 77%; de 30 a 39, 72%; de 40 a 49, 79%; e com mais de 50, 75%.

O dado mais significativo aparece no meio rural, onde 28% desaprovam a política do filho único e pode-se suspeitar se tratar de conseqüência da maior necessidades de mais braços para o trabalho. Na cidade, 13% desaprovam. A pergunta era simples: "você aprova ou desaprova a política do filho único?".

Mudando de assunto, eles estão se achando: 77% acreditam que os demais países do mundo gostam da China e 10% acreditam que não gostam. A pergunta era "como você acha que as pessoas dos demais países do mundo se sentem em relação à China? Comumente gostam ou não gostam da China?"

A auto-estima chinesa também colocou as manguinhas de fora quando o assunto foi Olimpíada. Mesmo antes dos Jogos, 96% dos chineses acreditavam que os Jogos Olímpicos seriam um sucesso; 93% que ajudariam a imagem da China; 79% disseram que seria importante para eles "pessoalmente". Eles tinham razão.

Mas 75% deles acreditavam que a China ganharia mais medalhas. Como não estava especificado que eram de ouro, erraram. Os Estados Unidos ganharam mais. Mas por essa lógica americana, o Brasil foi o melhor país no torneio masculino de vôlei de praia, pois brasileiros conquistaram a prata e o bronze. Os americanos ganharam "apenas" o ouro.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A Grande Passarela da China

Os Jogos Olímpicos de Beijing-2008 acabaram, mas as lembranças do que foi apresentado ficarão na memória por algum tempo. Foram dias intensos, para os que aderiram ao fuso horário chinês mesmo estando no Brasil e principalmente para os que puderam desfrutar dessa experiência in loco.

A China levou o mundo para uma viagem no tempo, lembrando a todos sua antiguidade e o mérito de ser uma das poucas culturas ancestrais a terem sobrevivido às mais diversas transições ao longo da história da humanidade. Se mostrou preparada para enfrentar não apenas o atual ciclo de globalização, mas para ajudar a contruir o que virá depois dele, suportando pressões estrangeiras, terremotos, enchentes e o que mais vier pela frente. A melhor forma de influenciá-los, mostra a história, é aprender como pensam, seus hábito e valores, mesmo que seja apenas para fazer bons negócios.

Não é pouca coisa ter cinco mil anos de história documentada e ainda ter energia para se manter na liderança. Os Jogos Olímpicos, que ajudaram Barcelona a se erguer e permitiu despertar o lado sensível dos soviéticos com o choro do urso Misha na cerimônia de encerramento da Olimpíada de Moscou-1980, agora ofereceram a oportunidade de todos despertarem para a existência da China, uma grande oportunidade de ambos os lados da Muralha.

Ao assistir ao encerramento de Beijing-2008 e ouvir o jornalista Marcelo Barreto dizer que não havia ocorrido em Pequim "o choro do Misha", o ápice para ficar no coração dos apaixonados pelo esporte, me perguntei em silêncio se o objetivo não seria esse mesmo: fazer uma grande festa, mas não ofuscar o momento mais marcante de encerramento de que se tem memória, um mérito dos soviéticos, tão próximos dos chineses, no momento em que a China se afastava do bloco soviético. Apenas um pensamento.

Ficou mais uma vez claro que tudo é questão de ponto de vista. A dublagem da pequena cantora e os virtuais passos do gigante que chegava ao Ninho do Pássaro são o quê na era das transmissões via satélite?

Cada um faz sua leitura, afinal, mesmo o que conhecemos por Grande Muralha da China poderia muito bem ser chamado de "Grande Passarela da China", afinal, quem a vê de fora a enxerga como uma barreira intransponível, mas quem está sobre ela tem outra noção, pois enquanto os inimigos tinham de se locomover subindo e descendo as escarpas das montanhas para atacar os chineses, os cerca de 100 mil soldados das tropas imperiais podiam rapidamente se mover em seus cavalos sobre os picos dessas montanhas, os que lhes dava sensível superioridade sobre seus adversários para manter o domínio do território conquistado, o que poderia inclusive dar um novo significado para a expressão "ficar em cima do muro". Depende do muro, do lado em que você está e de suas intensões.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Abertura olímpica para o mundo




A China conseguiu. "A China buscava o respeito e a admiração do mundo. Em quatro horas, a China conseguiu", disse a correspondente da Globo em Paris, Sônia Bridi, que viveu em Pequim e confessou ter chorado no momento em que a pira olímpica foi acesa, hoje, abrindo os Jogos Olímpicos de Beijing-2008.

Uma apresentação imponente, impressionante de bela, sincronizada e contagiante. Com 2008 fous - um antiqüissimo instrumento chinês de percussão. Fiquei na dúvida se as luzes acendiam (foto) quando os músicos tocavam ou se eles batiam no momento em que a lâmpada acendia. Isso porque o resultado da contagem regressiva para uma viagem ao passado de glórias da China foi divina de tão precisa. Para mim, esse foi o ponto alto da festa entre as apresentações.

Mas a sincronia de todos os elementos, não apenas com os fous, mas durante toda a festa, foi encantadora. É verdade, desde Barcelona-1992, quando a cerimônia de abertura passou a acontecer à noite, as festas são deslumbrantes, como lembrou o jornalista André Fontenelle em seu blog Jin Pai em Época. Mas como é bom que sejam sempre lindas assim! É revigorante para os povos, como foi motivo de orgulho para o brasileiro a do Pan do Rio-2007.

A pintura realizada durante a cerimônia, por mãos de crianças e artistas e pelos pés dos atletas que desfilaram sobre ela ficará para a história, e não tem valor. Como não tem valor uma medalha olímpica de ouro e nem mesmo as de prata e bronze.

Ao organizar a entrada das delegações no Estádio Olímpico pela ordem da escrita chinesa, não só o país demonstrou estar disposto a escrever a história de sua forma tradicional, com o número de traços de um ideograma definindo sua posição em relação aos demais, como ainda criou a oportunidade de receber em seu Ninho do Pássaro as superpotências antagônicas EUA e Rússia lado a lado, separadas apenas pela delegação da Síria.

Muito significativo adversários tão ferrenhos da Guerra Fria se postarem lado a lado na China, cada um com seus interesses próprios e seu modo de conquistá-los. Principalmente porque a China aderiu aos Jogos Olímpicos depois que os EUA boicotaram os Jogos Olímpicos de Moscou-1980, se destacando do bloco comunista soviético quando este optou pela reciprocidade e boicotou Los Angeles-1984, a primeira Olimpíada da China. Para mim, o ponto alto da festa entre todas as expressões políticas que cercam os Jogos.

A festa de hoje em Pequim acontece sobre o slogan "One World One Dream" ou "Um Mundo Um Sonho". A superpotências estão juntas escrevendo o futuro da humanidade também nesta e nas futuras Olimpíadas, assim como em seus intervalos. Um mundo multipolar é o que desejam os chineses.

Sônia Bridi lembrou ser muito significativo quando em um país em que os valores coletivos são tão marcantes, um indivíduo se destaca, como no momento em que o ginasta Li Ning acendeu a pira olímpica "voando". Acrescento ser mais significativo ainda por quantas mãos passou a chama olímpica até que Li Ning a recebesse para, por outras mãos, ser içado até o imenso pavio. É quase uma proposição: trouxemos o fogo até aqui, o que vamos fazer com ele?

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Sônia Bridi dá dicas para quem vai à China


Na última edição da "Revista O Globo", a correspondente da Globo em Paris - e que já viveu em Pequim -, Sônia Bridi, escreveu uma coluna interessante com dicas para quem vai para a China. Segunda ela, uma boa forma de conhecer o país é levar consigo a curiosidade, mas deixar no Brasil o preconceito, pois garante não ser possível generalizar ou resumir a China, um continente por si só, com oito vezes a população do Brasil em seu território.

Fez questão de lembrar que há problemas sérios por lá, como há também no Brasil, além de outros que não são vistos por aqui. E acrescentou um "mas", pois com os problemas existentes, conseguiram implantar um planejamento, um projeto de país que retirou 800 milhões de chineses da miséria em 25 anos, além de colocar 400 milhões na classe média, praticamente o dobro da população brasileira.

Chamou atenção para a infra-estrutura moderna e bem construída de lá. E argumentou que se for tirado o mérito da China por buscar seu desenvolvimento no que ela classificou como "a maior história de ascensão social já vista pela Humanidade" estaremos - ela se expressou dessa forma - desperdiçando uma oportunidade de aprender a encontrar um caminho de saída da miséria.

Assim como fez no Programa do Jô, ela lembrou sim das escarradas e cuspidas que realmente enojam os ocidentais. Cita haver explicação na tradicional medicina chinesa para isso, mas lembrou também que atualmente essas cuspidas não são feitas no chão de terra batido de outrora, que a tudo absorvia. Atualmente, Pequim é bem pavimentada e arborizada, com equipamentos para exercícios físicos disponibilizados pela prefeitura para promover a saúde e bancos para os moradores se sentarem. E talvez observarem as diferenças culturais.

Ela propôs que ao invés de se preocupar com o que muitos comem de exótico, o visitante dê atenção à diversidade de pratos disponíveis e à quantidade de ingredientes utilizados.

Mas uma dica parece ser fundamental: se você quiser beber Coca-Cola, deve saber que eles nunca servem nada gelado e, por isso, seu vocabulario em Pequim tem de contar com [pīn kuèrrr], com uma pronúncia que lembra o sotaque do interior de São Paulo e corresponde ao que chamamos de gelo.

Beber água quente em um dia de calor? Ela aconselha sentir se o dia não está muito seco? Eles bebem na temperatura que permite ao corpo se a hidratar mais rapidamente. Em outra dica, sugere saborear chás de crisântemo ou jasmim ou verde com o almoço. Para quem prefere uma cerveja, é difícil aceitar que isso pode ser mesmo bom. Ela garante ser saudável e delicioso.

Em sua opinião, a atual geração de chineses se sacrifica para que a próxima viva melhor e compara a pais que se esforçam pelo bem do filho. Ela lembra que há 2.000 anos os chineses fazem concursos públicos para escolherem as autoridades do país.

Sônia Bridi publicou recentemente um livro, que ainda não li, chamado "Laowai - Histórias de uma repórter brasileira na China". Deve haver muitos pontos de vista interessantes para quem tem interesse em conhecer melhor a China. O texto na Revista O Globo é muito significativo.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

China pós Olimpíada


Por ser fundamental pensar à frente dos concorrentes para conseguir resultados mais satisfatórios, a menos de um mês dos Jogos Olímpicos de Pequim, a partir de 8 de agosto, há os que já estão olhando no calendário para outubro, quando começa a "Chinese Export Commodities Fair", do dia 15 até 6 de novembro. A Feira de Cantão é a maior feira de exportação da China e nas últimas edições também esteve aberta às negociações para importação de produtos, uma oportunidade para o comércio bilateral.

O momento é favorável. O G1 publica que "o Brasil quer fazer da China seu maior parceiro comercial", segundo informação da agência chinesa de notícias, a Xinhua, citando o secretário de comércio internacional do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Welber Barral. A matéria lembra que "o volume de comércio bilateral saltou em dez vezes entre 2000 e 2006, principalmente nas áreas de produção agrícola e matérias-primas" e divulgou que o vice-ministro de Comércio da China, Ma Xiuhong, acredita haver "muito potencial para os dois lados impulsionarem o comércio, particularmente nos setores de ciência, tecnologia, agricultura e recursos naturais".

Outro dia fiz um levantamento no site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio para uma matéria e descobri que de 2003 a 2007 aumentou de 1.635 para 2.160 o número de empresas brasileiras que exportam para a China, um crescimento de cerca de 32%. No mesmo site descobri que o número de empresas que importam da China subiu de 4.737 em 2003 para 12.325 em 2007. Ou seja, houve um acréscimo de cerca de 160% no total de empresas que trazem produtos da China no mesmo período, mesmo com muitas sendo filiais de uma mesma empresa.

Segundo matéria de Sonia Martello, de Guangzhou (Cantão), para a revista Comércio & Serviços número 3, são 14 mil expositores de 17 setores da economia na Feira de Cantão, visitada por "220 mil empreendedores de 210 países" na última edição, encerrada em 30 de abril, na qual teriam sido movimentados US$ 80 bilhões em negócios. Desses, 1,6 mil eram Bā xī rén [pa xi gen] ou brasileiros, que fica mais fácil de entender. A área de exposição tem quatro vezes o tamanho do Parque de Exposiões do Anhembi.

São números que seduzem tanto quanto o canto da sereia, mas é necessário ter conhecimento profundo da realidade da cultura de negociação local para fazer bons negócios. O ideal é ir várias vezes para assimiliar as peculiaridades e conhecer os fornecedores. Preços muito baixos estão ligados a mercadorias com qualidade compatível; apesar de vendedores se expressarem muito bem em inglês, serão os chefes deles que decidirão as condições da negociação e os prazos e eles só falam chinês. É fundamental ter um intérprete. A conversa pode ser longa, pois o chinês gosta de saber com quem negocia.

A revista tem uma dica para quando você estiver com um chinês: de forma alguma deixe à mostra a sola dos sapatos - nem mesmo ao cruzar as pernas. Trata-se de um grande desrespeito. Ao negociar, pense nos hábitos cotidianos dos chineses.

A Chinatur, que replica o conteúdo deste blog em sua página na internet, disponibiliza pacotes de viagem para a Feira de Cantão com saída prevista para o dia 11 de outubro a preços a partir de 3.490 dólares (turismo do dia) mais taxas, com opção de acrescentar três noites em Pequim. Maiores informações podem ser obtidas pelo telefone 11.3112.0022.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

RMB não se chama yuán


Os chineses têm formas bastante peculiares de contar. Para se ter uma idéia, assim como usamos "seis" para contar qualquer coisa e "meia" para falar o número de um telefone, o número dois para eles se chama "èr" mas quando contam algo usam "lián". E assim como em português "meia" e "seis" são palavras diferentes, em chinês "èr" e "lián" têm ideogramas diferentes: "二" e "两".

Só que no modo chinês de pensar, conta-se de forma diferente do que no ocidente. Os chineses têm um elemento extra na cultura deles que convencionou-se chamar de "classificador". Quando você conta duas canetas, você não diz apenas "duas canetas" você diz "duas zhī canetas". Para esse "zhī" não existe tradução porque não existe aplicação para nós. Para três homens é "três ge homens". "Este carro" dizem "este bù carro". Não é da nossa cultura usar isso, mas eles fazem e fazem mais. Tiram o substantivo da frase e usam apenas o classificador, de forma que "duas canetas" vira "duas zhī", "três homens" pode virar "três ge".

Para dinheiro, eles têm esse classificador, também. Sua pronúncia é "yuán", de forma que o dinheiro deles não se chama yuán, apesar de ser utilizado de forma generalizada na imprensa internacional. O dinheiro deles se chama Rén Míng Bì, que significa moeda do povo, cuja abreviação é RMB, da mesma forma que nosso dinheiro se chama Real e sua abreviação é R$, o Dólar é abreviado para US$ e o Euro para €.

Assim como usam Rén Míng Bì para a própria moeda, para o dinheiro dos Estados Unidos (Mĕi Guó) usam Mĕi Yuán e para a da Europa, Ōu Yuán. O Real aparece escrito Hēi Ào (o "h" é pronunciado como "r").

É da nossa cultura fazer algo diferente. Algo que custa 3 mil reais vira "3 paus" sendo que já foi "3 barões", quando o Barão do Rio Branco estampava a nota de mil cruzeiros. E é da cultura dos chineses fazer algo bastante parecido. Informalmente, o classificador "yuán" foi substituído por "kuài", sendo normal ouvir que o preço de algo é "cinco kuài". Eles têm também o "centavo" deles, que se chama "fēn". E têm mais uma coisa que não usamos aqui, unidade de "dez centavos", que é pronunciado "jiăo" mas popularmente conhecido como "máo", de forma que "30 centavos" é "três máo", "70 centavos", "sete máo".

terça-feira, 6 de maio de 2008

O Século da China


Você sabia que em um casamento tradicional chinês a noiva usa um vestido vermelho? E que chineses usam bicicletas elétricas, que fazem cerca de 80 quilômetros com 20 centavos de dólar de carga para carregar sua bateria, para se deslocarem fazendo menos esforço? E que a partir de 1995 foram criados no país cerca de 30 mil áreas de recreação a céu aberto para que os idosos pudessem fazer exercícios físicos? E que há 40 milhões de ditos cristãos na China? Uhm... E que existem escolas para que os pais aprendam e discutam entre si formas de lidar com seus filhos únicos? Sabia?

Essas informações todas estão na últida edição da revista National Geographic Brasil, um volume refinado, com incrível edição de fotos. Os textos retratam muito do cotidiano dos chineses e tratam dos graves problemas causados pela perturbadora poluição que alcança também o rio Amarelo, "que nos últimos 2,5 mil anos transbordou e mudou de curso mais de 1,5 mil vezes, ganhando o apelido de 'Tristeza da China'". O link deste parágrafo oferece várias imagens que não estão na edição impressa.

Um gráfico aponta que em conseqüência da política do filho único, a partir de 2015 vai diminuir o número de pessoas no mercado de trabalho, mas ressalva que não faltará gente para trabalhar devido à absorção de mão-de-obra do campo nas cidades.

Vale muito a pena a leitura até para aprender como é feito o bombardeio de iodeto de prata nas nuvens para que chova em locais determinados.

O editor da revista, Ronaldo Ribeiro, esteve por três meses na China em 1985, quando, segundo ele, os chineses tinham medo de ficar próximos a estrangeiros, que podiam usar poucos hotéis. Ele conta na edição que os carros andavam com faróis apagados para que as lâmpadas fossem poupadas. Mas 22 anos depois, não há mais sinal dos arruinados táxis, que agora são Audis - e andam com os faróis bem acesos.

terça-feira, 8 de abril de 2008

China, uma potência marítima



A afirmação do arquiteto inglês Norman Foster de que a experiência dos chineses em construir navios foi determinante na construção do Teminal 3 do Aeroporto Internacional de Pequim trouxe à memória uma edição da revista Superinteressante de dezembro de 2006, que falava de viagens chinesas ao redor do mundo em 1421, logo após a inauguração da Cidade Proibida, que tinha 1.500 vezes o tamanho da cidade de Londres murada, no início da Dinastia Ming. A população era 50 vezes maior.

A publicação tratava do livro “1421 – O Ano em que a China Descobriu o Mundo”, do inglês Gavin Menzies. Percorri alguns sebos e acabei comprando o livro no Estante Virtual, site na internet que centraliza o acervo de pelo menos 800 sebos ao redor do Brasil.

Estou na página 333 de 550, mas estou espantado desde o início. Após 14 anos de pesquisas e viagens ao redor do mundo, muitas vezes dentro do submarino que comandava como membro da “Real Marinha Britânica”, o autor refez viagens desenvolvidas por frotas chinesas em 1421 a 1423 para narrar o encontro desse povo com culturas tão antigas quanto a sua própria, como os maias. Menciona, por exemplo, a beleza da cidade maia de Palenque, em Chiapas, no México. Visitou "mais de 900 museus" e conversou com especialistas, além de citar uma bibliografia incrível.

Com afirmações contundentes como (em 1421) “os chineses tinham mais de seis séculos de experiência em navegação oceânica” e também “na construção de compartimentos de colisão, que são espaços (submersos) fechados, à prova d´água, esgotados com uso de bombas de rosca [de parafuso ou helicoidal] tipo ‘Arquimedes’ [séculos antes de Leonardo da Vinci tê-las ‘inventado’], o que permitia que trabalhassem abaixo da linha de flutuação. Em começos do período Ming, dispunham mesmo de equipamento de mergulho com tubos de respiração e máscaras”, Menzies vai demolindo página a página todo o conhecimento passado em relação aos descobrimentos, afirmando categoricamente que os europeus chegaram às Américas e à Austrália graças a mapas produzidos por chineses. Palavra de inglês.

Segundo ele, em 1428, Pedro (o Duque de Coimbra, "Príncipe das Sete Partidas", segundo a Wikipedia, filho mais velho do Rei de Portugal Dom João I e irmão de Dom Henrique, o Navegador) teria obtido em Veneza um mapa do mundo que continha descritas todas as partes do mundo e da terra. (página 123) O tal mapa teria sido produzido por chineses e fundamental para guiar os portugueses.

Embasa suas descobertas no conhecimento adquirido na leitura de cartas náuticas e vai fundo nas citações tanto de mapas quanto no trabalho em rochas nas quais os chineses teriam deixado suas marcas ao redor do mundo, em uma postura anti-preservacionista, mas que permitiu a ele identificar os rastros chineses. Chega um momento da leitura em que fica difícil decidir se o mais fantástico era os chineses fazerem o que ele diz que faziam ou ele próprio ter conseguido reconstruir tudo aquilo.

Em relação às Américas, cita e localiza em mapa 11 evidências que provariam a presença chinesa no continente antes de Cristóvão Colombo, entre elas um junco afundado e a existência de uma aldeia chinesa e de pessoas que falavam chinês em Sacramento (EUA); a presença de uma âncora chinesa em Los Angeles (EUA), arte rupestre em caverna no México, onde há também corantes desenvolvidos sob influência de chineses; existência de galinhas asiáticas; índios venezuelanos com DNA chinês; aldeia no Peru de pessoas que falam chinês, país onde foram encontrados bronzes com inscrições chinesas; e âncoras e anzóis chineses encontrados no Equador.

Um junco chinês, chamado Ba Chuan [pronuncia-se Pa Tchuan], teria cerca de 135 metros de comprimento, um monstro na comparação com as Caravelas portuguesas de cerca de 20 metros, como o faz a Superinteressante e também esta imagem aí abaixo. Segundo o autor, em 1421, a segunda esquadra mais poderosa era a de Veneza, que contava com 300 galeras, cujas maiores mediam 45 metros de comprimento e 6 metros de largura e transportavam 50 toneladas de carga, enquanto um Ba Chuan chinês podia transportar 200 toneladas de carga. A China dispunha de cerca de 3.750 embarcações, que para serem construídas consumiram literalmente florestas inteiras e muitas reservas financeiras do país, com um impacto ambiental e econômico que acabou culminando com a queda do imperador pouco tempo depois. Eram 250 navios de tesouro, 1.350 barcos de patrulha, outros 1.350 navios de guerra, 400 navios maiores de guerra e 400 cargueiros para transporte de cereais, água e cavalos.

É impressionante a quantidade de detalhes sobre os chineses e muitos outros povos dessa época medieval, como as comparações em relação ao que representava a Europa nessa época, também destacado na revista. O autor faz comparações a todo instante, como: “Os cientistas europeus só comprovaram no século XVIII o que os chineses sabiam havia séculos, isto é, que algumas plantas podem indicar a presença de ouro e outros metais.”

Ou então: “os europeus dessa época eram quase os únicos a comerem galinhas e seus ovos. No sudeste da Ásia e na China, as galinhas serviam para um fim inteiramente diferente. Nos costumes divinatórios chineses (...) as galinhas melanóticas protegiam o lar de maus espíritos.” Curioso é que atualmente, aqui no Brasil, se fala o mesmo dos gatos. Para esses chineses, provavelmente, comer galinha era tão estranho quanto para nós parece ser comer cachorro... É a cultura.

Além de um livro espetacular, o material pesquisado passou a ser usado também no site de Gavin Menzies, o http://www.1421.tv/index.asp.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Concurso definiu o Parque Olímpico


Graças ao Sokan, da Chinatur, e a seus contatos na China, tive acesso ao livro "International Competition for Landscaping of Forrest Park and Central Zone in Olympic Green". Ao invés de tentar traduzir e facilmente cair em um erro nesse caso, vou contar do que se trata, e o título ficará subentendido, assim como parte da cultura chinesa por trás dessa obra.

A Comissão de Planejamento Municipal de Pequim, o Distrito de Chaoyang e a "Secretaria" Paisagística de Pequim, destacadas pela Prefeitura de Pequim, convidaram em julho de 2003 os principais escritórios de design do mundo especializados em planejamento urbano, paisagístico e de engenharia ambiental para apresentarem projetos para uma seleção que definiria como seria a construção do Parque Florestal e da Zona Central do Parque Olímpico.

Participaram da pré-seleção 51 projetos desenvolvidos por 91 entidades independentes, que podiam criar consórcios, representando 12 países: Alemanha, Austrália, Canadá, China, Coréia do Sul, Estados Unidos, França, Holanda, Inglaterra, Japão, Singapura e Suíça. Foram selecionados oito projetos. O oito é o número de sorte da China, que abrirá sua Olimpíada às 8 horas e 8 minutos da noite de 8/8/2008.

Foi então montada uma equipe com 30 especialistas, que elaboraram relatórios com as bases técnicas de cada um dos projetos para municiar o júri selecionado, que contou com 13 componentes de quatro países, sendo oito da China e cinco dos demais. Participaram dessa etapa engenheiros, horticultores, economistas, desenhistas, representantes do Comitê Olímpico Chinês (Bocog) e representantes da Prefeitura de Pequim, que selecionaram três projetos, da EDAW Inc. em parceria com a China Architecture Design & Reserch Group, da Sasaki Associates, Inc. em parceria com a Beijing Tsinghua Planning Corporation e da Turen Design Institute. Uma votação pública escolheu os dois primeiros e um quarto projeto, do consórcio Beijing Park Society, Beijing China Research Center of Landscape Architectural Design and Planning, Beijing Topsense Landscape & Design Co. Ltd., Tianxia Original Design Ltd.

Preciosismo citar o nome de todas as empresas, mas conquistaram isso por mérito. O livro foi lançado para documentar o concurso. A idéia quando os projetos foram requisitados, segundo o editor da obra, era refletir o conceito de "Olimpíada Verde, Olimpíada Tecnológica e Olimpíada do Povo. Mesmo com o prefácio tendo sido assinado em dezembro de 2003, as informações são excelentes referências sobre o local.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

É preciso tratar bem o turista


No momento em que fico sabendo que a agência de turismo Chinatur passou a disponibilizar em seu site os textos deste blog, leio na coluna Última Moda, de Alcino Leite Neto, na Folha de S. Paulo, uma nota que chama a atenção para os cuidados necessários no trato ao turista.

Informa que agências de turismo da China passaram a boicotar as Galeries Lafayette depois que um casal de chineses foi destratado e levado à polícia.

A nota destacava ainda que os chineses estão entre os povos que mais têm aumentado sua presença na França como turistas, o que a ocorrer também no Brasil.

A foto que ilustra o texto foi retirada de http://www.TravelerPhotographs.com.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Causeway Bay, Hong Kong


Serve como cultura geral, digamos assim. O Estadão publicou uma matéria do correspondente em Genebra, Jamil Chade, sobre uma pesquisa que apurou que o segundo metro quadrado comercial mais caro em todo o planeta Terra fica em Causeway Bay, em Hong Kong.

A liderança é da 5ª Avenida, em Nova York, onde um metro quadrado comercial custa € 849 (R$ 2.200), muito acima de Causeway Bay, onde custa € 686 (R$ 1.780). Na Avenida Champs Elysées, em Paris, custa € 522 ( R$ 1.355).

O metro quadrado mais valorizado no Brasil seria o Shopping Iguatemi, onde custa € 131 (R$ 340). Não entendi a comparação do preço de um endereço privado entre avenidas inteiras, mas enfim, vale a curiosidade.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Menos limpo, menos azul



O jornal The New York Times, dos Estados Unidos, publicou matéria na quinta-feira da semana passada contestando onível de excelência das pesquisas sobre a qualidade do ar em Pequim que foram usadas pelo governo para dizer que a meta de "dias de céu azul" foi alcançada.


Informa que a partir de 2006, foram alterados os métodos de análise, sendo que entre outras coisas, duas estações de medição em áreas poluídas foram desativadas e que outras três, em áreas limpas, foram usadas na coleta de dados. Assim, não teria mudado a qualidade do ar, mas os pontos em que as medidas são feitas, o que mostraria também existirem pontos de diferentes concentrações de poluentes na cidade.


A matéria do NY Times informa que são meidos em 84 cidades os níveis de poluição por dióxido sulfúrico, dióxido de nitrogênio e outros poluentes, que são classificados em conjunto em uma escala que vai de 1 a 500, sendo 500 o pior cenário.

Considera-se que qualquer marca abaixo de 101 representa "um dia de céu azul" e que em 1998, ocorreram 100 dias de "céu azul" e que em 2007, foram 246.

Há pelo menos um blog na internet que acompanha a qualidade do nível do ar em Pequim. Para quem quiser acompanhar o assunto em detalhes, é uma opção.

Em busca de um céu de brigadeiro



Realizar a Olimpíada em Pequim vai além de antecipar obras para refazer a infra-estrutura da cidade e mudar o perfil sócio-econômico da capital, que está deixando de ser majoritariamente industrial em seu centro para passar a explorar mais o turismo, se tornando uma moderna porta de entrada para a China.

Ganhar o maior número possível de medalhas é apenas um dos índices de eficiência existente nos Jogos Olímpicos, principalmente para aqueles que assumem a responsabilidade de organizá-los. Além de os estádios estarem quase todos prontos e neles já terem sido-teste para os Jogos, querem demonstrar serem capazes de alcançar as metas estipuladas em áreas muito diversas.

Um dos maiores problemas de Pequim são seus altíssimos índices de poluição, principalmente por haver muitas indústrias defasadas na cidade. Mas eles prometeram na candidatura a sede, que o ar da cidade estaria tão limpo quanto o de Paris na Abertura dos Jogos, o que poderá ser medido para comparação, em agosto.

Não é pouca coisa, algo como transformar Cubatão em Ipanema. Mesmo assim, o governo estipulou uma meta de fazer acontecer 246 dias de céu azul sobre Pequim em 2008. Ou seja, dias em que fosse possível ver o azul do céu, já que as nuvens de poluição podem ser imensas por lá. Anunciaram no fim do ano que conseguiram alcançar o objetivo, de acordo com os parâmetros estipulados por eles mesmos. Para 2008, estipularam em 256 os dias que terão boa qualidade de ar. Em 2007 foi necessário desativar indústrias, com o conseqüente corte de empregos, e foi testado também o impacto que teria promover rodízios de veículos.

A preocupação com o céu vai além da qualidade do ar. A Reuters divulgou que o aeroporto de Pequim fará 1.350 vôos diários para garantir que todos os vôos saiam no horário e que as empresas que não cumprirem o cronograma de julho a setembro, poderão ter a rota atrasada suspensa para todo o trimestre. A nota informa que o número de passageiros no ano passado foi de 185 milhões e que em 2008, irá para algo como 200 milhões. Pouco menos de 25% dos vôos não saíram no horário em 2007 na China.

Mas para que os vôos saiam na hora é fundamental que haja "céu azul" sobre Pequim, pois as grossas nuvens de poluição podem atrasar os vôos em dias. Será interessante acompanhar o que irá acontecer com tudo isso após a Olimpíada. Talvez aí esteja outra grande lição.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

As faces do Dragão


Os renomados economistas Luiz Carlos Mendonça de Barros, Paulo Pereira Miguel, da Quest Investiments, e José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, escreveram um artigo especial para o jornal "Valor Econômico", publicado em 12 de novembro último, intitulado "As três cabeças do dragão".

Segundo eles, "entender a questão chinesa é fundamental para quelquer planejamento estratégico, no nível empresarial ou nacional", o que não é pouca coisa. Entender a questão chinesa.

Ao dizerem que é uma missão que fica mais difícil a cada dia que passa devido à velocidade das transformações por que passa com a rápida urbanização e sugeriram ver a questão como um dragão de três cabeças, sendo a primeira "a que devora vorazmente quantidades antes inimagináveis de energia, matérias-primas industriais e, cada vez mais, commodities"; a segunda, "a que produz bens manufaturados em elevada escala e com baixo custo... que causou uma deflação global que apenas agora começa a perder força"; e a terceira, "a mais recente... que representa a população da China como grande consumidora global..., ( já que) a incorporação de dezenas de milhões de pessoas ao ano no mercado de trabalho e o rápido crescimento da renda per capita indicam que a Chinha como mercado consumidor é uma realidade cada vez mais próxima".

Gráficos ilustravam características técnicas do desenvolvimento da economia a partir de aspectos como consumo de energia custo unitário do trabalho, destino das exportações (ascendente para América Latina, África, Rússia e Índia e descendente para EUA), PIB etc.

A conclusão do trio, quase uma consultoria, é que "os perfis da nossa indústria e da economia vão mudar, mas não haverá desindustrialização. O que poderá haver são oportunidades perdidas". Indicam que se tenha uma visão ampla dos desafios e oportunidades e que se olhe para o futuro.

No final de outubro assistir a uma palestra do Consul Geral da República Popular da China em São Paulo, Sr. Sun Rong Mao, que tratou basicamente de intercâmbio cultural, mas em sua contextualização, dividia os momentos da China também em três após 1978: até 1980, com a concentração na política econômica, criação de Zonas Econômicas Especiais; de 1981 a 2001, quando se pode constatar a velocidade no desenvolvimento econômico, com alto consumo de matérias primas, "pelo menos duas vezes maior que a dos Estados Unidos e do Japão porque nossa tecnologia não é tão avançada, mas agora buscamos sustentabilidade, que é fundamental"; e a partir de 2002, no qual "avançamos na teoria do crescimento científico sustentável. Estamos construindo uma sociedade hamoniosa, com construção política, econômica e social".

A visão oficial do país, do Consul Geral a universitários de letras da USP. Só no momento em que abriram para perguntas me identifiquei como jornalista, para fazer a minha pergunta. Antes, o Sr. Sun Rong Mao disse que a China é a terceira portência econômica em volume de negócios, que "agora, avaliamos no que os estrangeiros são bons. Os Estados Unidos e a União Européia passam por estagnação econômica, têm problemas. Isso indica que o capitalismo não resolve todos os problemas. Só usar o sistema capitalista não resolverá. Por isso, estamos acançando no capitalismo com características chinesas." E foi enfático: "Trata-se de uma experiência de grande sucesso", disse em português de Portugal, que ao comentar fez rir sua platéia, que já havia percebido o forte sotaque lusitano.

Destacou os números que achou apropriado para mostrar a eficiência do país, dizendo que buscam uma sociedade modestamente abastada: segundo ele, em 1979, o PIB per capita era de 200 dólares (um forte indicador de que estamos falando de um país muito pobre) "e o sonho, na imaginação do chinês, era chegar ao final do século 20 com um PIB per capita de 800 dólares, o que alcançamos em 1998".

Segundo o Consul, foi determinado um plano para em 2000 ter PIB de 1.000 dólares; em 2010, 2.000 dólares e até 2020, 4.000 dólares. E ressaltou: "Em 2006, chegamos a 1.974 dólares. Para isso, teremos de abrir mais a porta e fazer uma reforma política."

A "porta"? Havia dito no ínício da palestra que "capitalismo e socialismo são muito contrários. É preciso ter cuidado para abrir a porta".

As portas estão se abrindo, mas o que cada um vê? A palestra foi encerrada pouco depois que um ativista político fez uso da palavra para pedir que posse interrompida o que consideram uma perseguição política. Inclusive recebi cópias de um livro, que ainda não consegui ler.

Como poucos dias antes este blog já foi chamado de "chapa branca" por em 25 notas não ter criticado a pena de morte na China, pensei muito a respeito, mas ainda não tenho um posicionamento, a não ser o meu pessoal de ser contra a execução de pessoas, principalmente por órgãos do governo, apesar de ouvir argumentos como "mas e quem estupra, mas e quem rouba compulsivamente e não se regenera?"

Agora, como me posicionar em relação à clara determinação dos revolucionários líderes do povo chinês, que exigem autonomia para governar e não aceitam qualquer tipo de questionamento em relação ao que fazem da porta para dentro, não sei ainda. Pretendo aprender e por isso, também, resolvi começar este blog.
Para aprender, no dia 14 fui à FAAP, assisitir à palestra de Guy Sorman, autor de "O Ano do Galo - Verdades sobre a China", sobre o ano de 2005 "quando a China passou por um enorme número de insurreições: revoltas camponesas, sublevações religiosas, greves operárias, petições de militantes democratas, movimentos ecologistas", segundo o material de divulgação da palestra. Sorman, canadense, em inglês, se apresentou como democrata liberal e iniciou sua exposição comentando como o governo chinês está se especializando em relações públicas, na qual investe muito, inclusive com os Jogos Olímpicos, o que faz com que "lendo jornais de qualquer país, só se vê boas notícias": "Eu serei mais equilibrado", disse ele para enquanto iniciava falando de sua visão da China que para ser forte quer ser útil, sendo um núcleo de atividades.

Para Sorman, "os chineses não controlam o mecanismo deles, pois se Estados Unidos e a Europa deixarem de comprar, eles não se mantêm".

Para Sorman, "os chineses não controlam o mecanismo deles, pois se Estados Unidos e a Europa deixarem de comprar, eles não se mantêm". Mesmo assim, ele conta, para 300 milhões de chineses, com moeda forte, educação e saúde, nunca se viveu melhor no país.
Sorman contou que viveu no interior da China e que lá a pobreza é diferente, pois na Índia vivem em certa integração. "São pobres, mas têm direitos não econômicos. Disse que na China não podem se expressar, não podem viajar nem ter atividade religiosa, se não for ligada ao Partido Comunista, que só permite a um casal ter seu segundo filho se o primeiro for uma menina, mas, segundo ele, infelizmente, mil revoltas não fazem uma revolução. O povo só se revolta porque a mulher foi estuprada por um líder do partido ou porque estão confiscando a minha terra para construir uma casa para o líder do Partido Comunista."

Sorman acredita que "o sistema de exploração das pessoas pobres é estável. É uma combinação peculiar de sistema comunista e capitalista e enquanto o mundo não recusar as distorções do sistema comunista, não haverá o que mudar. Como consumidor, tenho interesse direto na produção na China, assim como os brasileiros. Há quem queira boicotar o consumo de produtos da China e os Jogos Olímpicos, mas digo que não porque o chinês é orgulhoso de sua renascença econômica. Temos de fazer a mesma separação da União Soviética das décadas de 60 e 70: separar as pessoas do sistema." Para depois encerrar: "Eu não gosto de ser manipulado pela propaganda do partido chinês. Sou anti-partido, mas não anti-chinês", disse Guy Sorman.

Faces diferentes vistas por óticas diferentes, mas na USP, a Cônsul Geral também foi claro ao falar sobre a pena de morte ao ser questionado pelo ativista político, que sinceramente não me lembro se identificou-se. "A pena capital está prevista na constituição. E vou usar um ditado português para explicar: "Com ferro mata, com ferro morre."
Há muito a ser compreendido.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

O pequeno domador de baleias


Ficou linda a foto e é incrível a semelhança com a capa do disco "Never Mind", do Nirvana. A não ser pelas diferenças entre os valores envolvidos na questão.
O menino de quatro anos se apresenta com baleias na China e causa sensação, além de desencadear várias polêmicas.
Em algum momento eu vou descobrir como é que faz para esconder um link desse tamanho por "clique aqui".